13 de novembro de 2013

Curiosidade: Carta do Futuro de Matthew Quick

Olá queridos leitores!






Para quem conhece o escritor Matthew Quick, sabe que ele é o autor de dois best-sellers: O Lado Bom da Vida e Perdão Leonard Peacock, dois dos meus livros favoritos!





Para quem leu o livro Perdão Leonard Peacock ou a resenha (clique aqui) sabe que o livro se baseia em um rapaz que se quer matar, e sugerido pelo seu professor, começa a escrever cartas para si no futuro, ou seja, ele escreve para ele próprio quando ele já é adulto, imaginando como seria a sua vida.

Enquanto pesquisava um pouco sobre Quick, encontrei no site da editora brasileira que distribui os seus livros, Intrínseca, uma carta para o “passado” que ele escreveu para si mesmo. A sua publicadora do Reino Unido pediu-lhe para escrever uma carta para ele próprio quando tinha 17 anos, que conta como é a sua vida agora.

Carta do Futuro de Matthew Quick

Querido Matthew Quick de 17 anos,
Sou você (eu?) no futuro – aos 39 anos. É, 39! Só me permitiram escrever dois parágrafos então não posso explicar como esta carta do futuro é possível – droga, já gastei parte de um dos parágrafos com essa explicação. Você vai ficar bem. Vai deixar a infância para trás, virar um adulto, e no fim tudo vai dar certo. Você ainda fica deprimido às vezes e fica sozinho com alguma frequência. A maioria das pessoas não compreende essa sua necessidade de solidão e certas vezes seus sentimentos intensos provocam mal-entendidos, mas também criam arte. Você vai usar essas tempestades emocionais para escrever os livros que hoje publica. É, é isso mesmo. PUBLICA! No mundo inteiro. Você é um best-seller no New York Times e em listas internacionais. Hollywood adaptou seu primeiro romance em um filme vencedor do Oscar. É sério. Continue escrevendo! Continue se esforçando! E não escute as pessoas que dizem ser impossível ganhar a vida escrevendo ficção – que você vem do lado errado da cidade, da família errada, que não é inteligente o suficiente, que frequentou a escola errada. É tudo bobagem. Você vai brilhar.
Hoje, as pessoas o chamam de Q. Garotas de 14 anos lhe darão esse apelido. (Você foi técnico de futebol de garotas do Ensino Médio por cinco anos.) Você odiará ser chamado de Q no início, mas vai acabar levando numa boa. Você vai se tornar Q. Quando estiver ensinando literatura no colégio, você descobrirá quem realmente é, encontrará a sua voz. Vai virar uma nova pessoa. Q. E terá a melhor companheira no mundo para ajudá-lo nesse período de transição. O nome dela é Alicia. Você a chama de Al. Vocês vão se conhecer na faculdade. Ela é a melhor coisa que já lhe aconteceu. Vocês vivem em Massachusetts com uma fêmea de terrier escocês chamada Desi. Desi sobe na cama toda manhã e adormece em seu peito. Você adora Desi. Você escreve ficção o dia inteiro. Você ama escrever ficção, mesmo que seja muito difícil e nunca fique fácil. Você vai se esforçar muito para se tornar escritor, mas terá muita sorte de obter essa vida que aos 17 anos não acredita realmente ser possível – mas é possível, acredite em mim. Nós a estamos vivendo.
Você ouve The Smiths o tempo todo agora, em 1991. Acha que o Morrissey é a única pessoa que o entende. Muitas vezes você vai até o riacho à noite e se senta sozinho no banco, observando o reflexo das luzes na água e sentindo-se vazio, solitário, confuso e talvez até um pouco condenado. Você fica preocupado, pensando que nunca ficará satisfeito, muito menos feliz, e remói esses sentimentos porque ainda não possui o vocabulário necessário para se expressar propriamente, e na sua vizinhança, sentimentos são tabu, especialmente para quem é homem. Você está escondendo sua melhor parte, porque o fizeram acreditar que isso não é viril. Aguente firme. Você vai se mudar dessa vizinhança. Conhecerá pessoas incríveis. Viajará para a África e até para a América do Sul! Vai se apaixonar loucamente por sua companheira de vida – a mulher que ficará sempre ao seu lado. E quando você finalmente escrever com honestidade sobre todas essas coisas revirando em seu peito, quando seus romances rodarem o planeta e outras pessoas reagirem a ele – muitas pessoas –, você saberá que não está sozinho, e que na verdade nunca esteve.
Não tenho mais parágrafos. Já lhe dei um a mais (agora dois) do que me foi permitido. Você vai ficar bem. Às vezes, será difícil. Nem todos amarão seu trabalho. Amigos vão chegar e partir. Existirão haters – pessoas que desejarão seu fracasso. Mas você faz trilhas diariamente com sua esposa pela floresta, muitas vezes até o topo de uma pequena montanha da região, o que acalma sua mente e o faz se sentir saudável. Será o suficiente. Será lindo. Não desista de ficar por aqui. Você não vai querer perder isso. Acredite em mim.

Q (Você no futuro)


Fotos anexo Carta do Futuro



Certamente irei escrever para mim própria, não para o passado mas para o futuro, imaginando como será a minha vida nessa época, assim como Leonard, e irá ser bastante divertido ler isso quando for mais velha e ver se tudo correu como planeado (duvido muito), mas é sempre bom tentar.

E você? Vai escrever a sua carta para o passado ou futuro? =)
  

3 comentários:

  1. Aaah que legal! Não sabia da existencia dessa carta, adorei!

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Nem eu! Foi uma alegria quando a encontrei =D
      Beijo

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  2. A música encaixa perfeitamente, né?! hahaha Acabei Perdão, Leonard Peacock ontem, a leitura me surpreendeu. Sai resenha no blog hoje,caso se interesse. Gostei muito da ideia das cartas, e talvez eu também venha a escrevê-las.

    beijos,
    http://leitoraemtransicao.blogspot.com.br

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