22 de outubro de 2013

Conto #1: Eles são uns mentirosos!


Toda terça vou postar meus textos pra vocês, aqui intitulados de Contos e Pensamentos.
Espero que vocês gostem e não fiquem assustados. hehe <3

Eles são uns mentirosos


Eram quatro horas da manhã. Eu sabia que devia estar dormindo a essa altura, mas minha cabeça estava a mil por hora, em um turbilhão de ideias, tudo ao mesmo tempo. Fechar os olhos nesses momentos é quase impossível.
Ei, será que ela não percebe? Será que ela não vê? Ou finge que não vê?


Levantei e comecei a andar de um lado a outro, estressada, apreensiva, esperançosa. Eu estava usando minha leve camisola branca de seda. Meus cabelos loiros acinzentados estavam presos em um coque desajeitado. O vento batia na janela, me fazendo sentir aquela brisa gelada da madrugada. E os meus pensamentos não paravam, eles se intensificavam cada vez mais em mim. Algumas coisas eram claras, nunca estiveram tão em evidência: Ele era um mentiroso. Mentia sobre suas emoções, seus sentimentos. Tão mentiroso que convencia a si mesmo de sua própria mentira.

Fui à cozinha beber qualquer coisa, o que estivesse a mão pra me distrair. Voltei ao quarto com um copo de refrigerante, que quando batia na garganta ardia-me o nariz e fazia meus olhos lacrimejarem. E essa foi a deixa para me desmanchar de vez em lágrimas. Eu nunca havia percebido o quanto o amava, o quanto esses meses longe dele me fizeram mal. O quanto eu sentia necessidade de tê-lo perto de mim ou de quanta falta me fazia o seu cheiro, sua voz, sua respiração, o jeito como ele secava o cabelo de qualquer jeito na toalha, a sua forma de andar, os seus olhos piscando pra mim enquanto esbanjava aquele sorriso sarcástico...


Me recompus. Agora era tarde demais. Ele estava com ela. Deviam estar juntos nesse momento. E foi tudo culpa minha, eu o mandei ir embora, ele refez sua vida.

Mas ele nunca vai amá-la da mesma forma que me amou. Sua frases a ela serão sempre repetidas, inspiradas por momentos em que ele esteve comigo, inspiradas por sentimentos por mim. Ela nunca terá o que eu tive. Ela nunca será seu primeiro amor. E ele continuará mentindo pra ela. M-E-N-T-I-R-O-S-O! Dizendo que ela é o amor da vida dele, sabendo que na verdade EU sempre serei o amor da sua vida!
Enquanto me encolhia de raiva dela e de mim mesma, só vi o copo escorregando da minha mão. Fui perdendo-o, e ele então caiu no chão, se espatifando em mil pedaços, assim como o que tivéramos um dia. E eu definhei ali no canto do meu enorme quarto. Já não haviam mais lágrimas, era um choro seco, sem nenhum sinal de vida. Espero que ela saiba o quanto ele mente pra ela, espero que ela sinta. Espero que ele pense em mim quando estiver com ela. É tudo uma mentira, tem de ser uma mentira.


E eu aqui beirando a loucura por causa deles. Malditos mentirosos!

Ela tem que saber! Eu vou acabar com isso agora, ele vai ser meu novamente. Vai ficar aqui do meu lado de onde nunca devia ter saído.


Peguei meu telefone celular e disquei o número dela. Que se dane que sejam cinco horas da manhã. É hora de consertar tudo isso.
_Oi Juliana, o que foi agora? - ela atendeu e já sabia o meu nome, que esquisito! Ele deve ter falado muito de mim pra ela, eu sabia! - Vai dormir por favor!
_Devolve o amor da minha vida sua vagabunda! - Eu disse gritando, bufando, desesperada. - Ele ainda me ama, sempre vai me amar. Devolve o que sempre foi meu! Você não é nada pra ele!
_Juliana, volte a dormir, por favor. Essa história de novo não! Quer voltar a visitar o Doutor Fernando? - Nesse momento tudo foi voltando a minha mente. Não, ele não era meu. Há muito tempo ele não era meu. Talvez nunca tenha sido. - Você se separou do Bruno há dez anos. Dez anos!!! Lembra disso? - Toda a minha existência voltou-se a mim como um Big Bang. Não, ele não era meu. E nem tinha porque ser. Eu era só uma louca idiota. E eles ainda se importavam comigo. Me atendiam, me ajudavam, me levavam ao terapeuta. Mesmo sem nenhuma obrigação. Ah, Helena minha amiga. - E eu estou casada com ele há oito anos. E nós somos amigas, lembra?! Você já não se importa com isso. Por favor, volte a si. Você estava indo tão bem. Vamos nos enc...
Nem esperei a Lena acabar de falar. Desliguei o telefone e me livrei novamente daquela onda de loucura. Eu não podia voltar ao fundo do poço. Não de novo.

Leia a continuação: Conto #2 - Eles são uns mentirosos (Continuação) 

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